Correspondências em "Febre"

Domingo, Março 6

Fiquei um tempo pensando na sua frase: Vivi o tempo em que era matar ou morrer. O máximo que consegui foi sufocá-lo, mas ele retoma o fôlego depois. E, curiosamente, me veio a sensação de que talvez - eu digo talvez - esse sentimento que você acredite ser amor não exista mais. Ele pode ter sido sufocado o suficiente para não retornar com força total, afinal foram várias tentativas e uma hora a força da liberdade deixa de existir. Será que o que você sente não é apenas a vontade de me ter perto de novo, como tentativa de ter algo que lhe foi tirado tantas vezes? E se, de fato, é amor, qual a força que ele tem diante do mundo?
Eu sei que a convivência exige negociação e também o (re)apaixonar a cada momento de fraqueza. O amor é louco porque ele nos tira algo que temos de mais precioso, a paz. Quando amamos, pensamos na pessoa antes de dormir, ao acordar, fechamos os olhos ao lembrar. Escutamos com calma nosso sentimento. Somos mais claras, sorrimos mais e a vida é azul. Mas o amor é passageiro e foge ou escapa de nós em segundos. Ele muda. Nos faz pensar que não existe, mesmo guardado. O amor permite que pessoas diferentes possam conviver em harmonia. Em nome dele também se mata, se fere. O amor é o extremo. Mas é necessário querer. É necessário dividir. É necessário acreditar. A felicidade que o amor nos proporciona é a mais passageira que eu conheço...
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Correspondência trocada entre personagens do livro Febre

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